Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

...

 

 

  

Por que não cai a noite, de uma vez?
— Custa viver assim aos encontrões!
Já sei de cor os passos que me cercam,
o silêncio que pede pelas ruas,
e o desenho de todos os portões.

Por que não cai a noite, de uma vez?
— Irritam-me estas horas penduradas
como frutos maduros que não tombam.

(E dentro em mim, ninguém vem desfazer
o novelo das tardes enroladas.)
                                                                                                                                                                                                                       
Pretexto

Maria Alberta Menéres

 

 

Há muitos milhares de anos, talvez por volta do século IX ou VIII a. C., viveu na Grécia Antiga, um homem chamado Homero. Não se sabe qual terá sido a sua terra natal: Quíos ou Esmirna? Mas, baseando-se em velhas lendas da tradição oral, Homero compôs a Ilíada e a Odisseia, provavelmente os mais belos poemas de todos os tempos.

A tradição representa-o como um velho cego que vagueava pelas cidades, declamando poemas que terão chegado até ele através da tradição oral e que ele compilou construindo uma estrutura unitária na acção e no estilo .
Homero escrevia com uma grande riqueza de pormenores e uma grande objectividade, o que nos permite conhecer a vida dos gregos antigos.
As suas obras foram elogiadas por Aristóteles e serviram de base ao helenismo. São consideradas as mais importantes da literatura ocidental e desde há milhares de anos que têm sido lidas e traduzidas em várias línguas.

 

 

A história  de Ulisses, rei de Ítaca, desenvolve-se nos seguintes espaços:

epopeia
epopeia

  • Em Ítaca
Ulisses vivia numa ilha grega que se chamava Ítaca, com a sua mulher Penélope e o seu filho Telémaco. Era um rei diferente, que gostava de caçar e conversar com o seu povo.
De espírito irrequieto e aventureiro, quando estava em casa só pensava em ir ao encontro de aventuras, do desconhecido pois o que o entusiasmava era
        o mar... só o mar... o mar...o só mar    
Quando o príncipe Páris raptou a bela rainha Helena de Tróia, Ulisses não quis ir para a guerra e fingiu estar louco para não ir. Mas....lá foi com os seus guerreiros, pensando alegremente que iam ter uma vitória fácil e,  em breve,  regressariam ao reino.
  • O cerco e ataque a Tróia
O cerco e a guerra de Tróia duraram 10 anos....
Dez anos sem os Gregos verem a Pátria, a família... já ninguém sabia suportar a saudade, o esforço de manter um cerco durante tanto tempo. Aquilo não podia continuar assim!
Ulisses teve a ideia de construir um enorme cavalo de pau, assente num estrado com rodas para se poder deslocar. Dentro da barriga do cavalo esconderam-se alguns homens. O cavalo foi deixado, como oferta, às portas da cidade  de Tróia. Os outros Gregos fingiram que se retiravam.
Passados 4 dias, os Troianos convenceram-se que os Gregos tinham mesmo partido. Abriram, devagarinho, as portas da cidade e levaram para o meio da praça  o cavalo, começando a festejar a vitória.
Durante a madrugada, quando os Troianos estavam a descansar, os Gregos saíram de dentro do cavalo, abriram as portas  da cidade aos companheiros e destruíram, completamente, Tróia.
 

     Início da viagem de regresso que vai durar outros 10 anos

Cheios de saudades os Gregos meteram-se nos barcos e dirigiram-se  para as suas terras. (Ulisses) reuniu-se com quarenta valentes marinheiros e lá foram num belo navio em direcção a Ítaca...Agora em pleno mar, Ulisses só pensa em regressar á pátria...

Os deuses, furiosos, intervieram sob a forma de uma estranha corrente submarina que os ia levando para onde eles não queriam ir.

          A corrente não abrandava nunca.

                   Aumentava....aumentava....aumentava

                                           
  • Na terra dos Ciclopes

Começaram a avistar terra: era uma ilha onde o navio calmamente aportou.

Mas havia entre eles um que era mais forte do que todos

   ...mais cruel do que todos...   mais bravo do que todos

e que era o terror de todos.

Chamava-se Polifemo e tinha um mau génio horrível, zangava-se por tudo e por nada e depois dava murros para a

esquerda                                 murros para

                                                                  a direita..."

Depois de frustrarem as intenções que  Polifemo tinha de comer os homens, conseguiram fugir da gruta, agarrados às barrigas das ovelhas, depois de terem cegado o gigante.

 

 

 

  • Ilha de Éolo
A viagem de Ulisses continuou e aportaram na ilha da   Eólia. Foram bem recebidos e o rei ofereceu-lhes um saco feito de pele de boi onde tinha metido todos os ventos do mundo à excepção de Zéfiro, a brisa suave. Mas avisou-o do grande perigo que seria se alguém abrisse o saco pois os ventos soltar-se-iam....
Os marinheiros, curiosos por saber o que o saco continha, abriram-no às escondidas de Ulisses.
os ventos...revolveram os mares       agitaram as nuvens      revolveram os mares    agitaram as nuvens     espalharam a chuva    acenderam a terrível tempestade    e Ulisses acordou no meio da maior confusão de que jamais houve memória!
 

 
  • Ilha de Circe
Cansado e desiludido, Ulisses chegou a uma nova ilha. Estranhou não ver os seus marinheiros mas encontrou Euríloco: soube então que naquela ilha vivia uma lindíssima feiticeira, Circe, que ao dar de beber aos homens um licor, os transformava em animais e os marinheiros eram agora...porcos!
" Em porcos os melhores marinheiros da Grécia? Os meus queridos companheiros? Isto é uma afronta que tem de ser vingada...."
A deusa Minerva deu-lhe a erva da vida que o livraria da má sorte. Depois de muito tempo e do arrependimento de Circe seguiu os seus conselhos: dirigir-se á ilha dos Infernos e  falar com Tirésias, o profeta que lhe daria novas da sua família. Falou-lhe também do perigo de ouvir os cânticos das sereias....
E lá foram eles,
"entre onda e onda, em azul e verde, de contente coração".
 

 

 

 
  • No Reino dos Infernos
Nesta ilha apenas havia desolação e  as sombras, as almas vagueando...
Cérbero, o cão de três cabeças, o cão que dorme com os olhos abertos, guarda a gruta. Ulisses apenas comunica com as sombras a quem oferecer carne de uma ovelha negra que Circe lhe dera.
E vê  a mãe que ele ainda imaginava viva e lhe fala dos perigos que ameaçam a sua família e do estratagema que Penélope arranjara para adiar os seus pretendentes: de noite desmancha a teia que tece durante o dia.
E vê Tirésias que lhe confirma a confusão que reina em Ítaca.
E vê Tântalo, um homem que fora cruel em vida e que agora cumpre o seu castigo: metido numa lagoa, quando vai beber a água escoa-se; quando tenta apanhar os frutos ao seu alcance eles escapam-se-lhe.
E vê Sísifo, que fora um rei desumano e cujo castigo era empurrar um rochedo que rolava constantemente.
Incapaz de suportar tanta desolação, Ulisses e os marinheiros afastaram-se daquele lugar.

 

  • Mar das Sereias
Aproximando-se do mar das Sereias os marinheiros quiseram colocar cera nos seus ouvidos mas Ulisses, teimoso, não o permitiu e insistiu em ser amarrado a um mastro.
"Quero ouvir o canto das sereias. Dizem que elas encantam os marinheiros com a sua bela voz e eu quero sentir esse encantamento."
Ulisses....Ulisses...Ulisses....Ulisses...
            Ulisses....Ulisses...Ulisses....Ulisses...
                       Ulisses....Ulisses...Ulisses....Ulisses...
Ulisses....Ulisses...Ulisses....Ulisses...
E o cântico chorava suavíssimo, violentíssimo, vindo de dentro da sondas, de dentro das cores, de dentro do vento. E Ulisses sofria pavorosamente.
E os marinheiros continuavam a remar,
               a remar, a remar, a remar, a remar, a remar, a remar, a remar, a remar, a remar...
No final Ulisses parecia um velho, cheio de sangue e suor.
E continuam e passam junto de dois enormes rochedos
um era como enorme boca
                               e outro como tremenda mão
e houve um naufrágio
          e ficou só, único sobrevivente  do último naufrágio.
 

  • Na terra dos Feácios
Desmaia e perde a memória quando alcança as praias de uma nova ilha.
É recebido por Nausica, a filha do rei Alcino e da rainha Arete. Está na Córcira, a terra dos Feácios. depois de contar a sua história parte para Ìtaca.
E dorme. E dorme.
 
  • Regresso a casa
Os marinheiros depositam-no adormecido numa praia e partem. Quando acorda, entristecido por se encontrar de novo sozinho,  vê Minerva  que lhe diz estar na sua terra. Transforma-o num  "mendigo roto, velho e triste em quem ninguém reconheceria o valente, belo e manhoso Ulisses".
Na casa de Eumeu encontra Telémaco e revela-lhe quem é.  Estabelecem um plano.
De manhã é reconhecido pelos seu velho cão,  Argus que morre de emoção e por Euricleia que, ao lavar os pés daquele mendigo reconheceu uma estranha e profunda cicatriz que só Ulisses tinha...
Com a ajuda de Telémaco derrota  os pretendentes de Penélope... perante um   povo entusiasmado, um Telémaco orgulhoso e Penélope que o abraçava para nunca mais deixar...

 

 Testa os teus conhecimentos sobre as aventuras de Ulisses!

 

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  • Textos informativos -   Em Ítaca , a guerra de Tróia ,  na terra dos ciclopes , na ilha de Eolo ,  no mar das sereias , na ilha de Circe ,  no reino dos Infernos ,  na terra dos feácios , regresso a casa
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  • Para saber mais: a Grécia ,  Homero ,  Ilíada , mitologia , lendas mitológicas ,   música grega , o alfabeto grego
  • outras leituras: sugerindo leituras , a lenda da esfinge grega , o rapto da princesa Europa ,
  • Fichas de trabalho: a narrativa ,  Ulisses, a lenda da esfinge grega , ficha de trabalho sobre a lenda da esfinge grega  , descobre os erros 

     

     

     

     

  • Caça aos erros! 
  • A lenda da princesa Europa em banda desenhada para completares

     

     

    Música grega

     

  • publicado por ana às 20:31
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